Sunday, January 29, 2017

O dinheiro não salva ninguém! Mas com certeza nos deixa menos impotentes. 

Alguém disse-me: Você é uma mulher que escreve como um homem para mulheres . Então eu respondi: Não, eu não sou uma mulher que escreve como um homem para mulheres. Eu sou um ser humano que escreve para outros seres humanos. 

Saturday, September 17, 2016

ELA NÃO É ELA. ELA É ELE

Ela ou ele? Como queiram se dirigir a ela. Talvez ela deseje apenas deixar um recado ou mesmo ser uma amiga que nos alerta para não irmos por caminhos que às vezes podemos julgar como certo. Outro dia eu estava voltando para casa. A estrada é bem tranquila para dirigir a noite, por isso me atrevo a ouvir minha playlist preferida no iPod. Já era tarde quando avistei um grupo contendo muitas e variados estilos de motocicletas. Elas passaram tão rápido por mim fazendo manobras bem ariscadas. 

O barulho era tão estarrecedor que dentro do carro eu podia sentir o chão vibrar. Então eu acelerei também e os segui por aquela estrada. Não posso negar que a velocidade é algo excitante, pois é fácil compreender e invejar o que eles desejavam daquele instante. Mas há uma grande diferença entre estar em uma motocicleta e um carro protegido por uma carroceria e o mínimo que podia acontecer dependendo do tipo de acidente era meus ossos ficarem fraturados. Porém no caso em que algum deles caísse em alta velocidade seria algo bem inimaginável. No cruzamento seguinte finalmente os alcancei e pude ver quantos eles realmente eram. Eles estavam bem a minha frente esperando em fila para descer a curva do inferno e sentir a mais pura adrenalina. Por um momento eu disse a mim mesma - Ha! Então são vocês que todas as quartas perturbam meu sono com o barulho desses motores? Mas como pode uma pessoa colocar sua vida no limite? De repente uma voz disse-me baixinho: Qualquer dia eu vou dar-lhe uma demonstração. Talvez apenas uma lição ou não? Passado alguns depois voltando para casa fazendo o mesmo percurso deparei-me com um aglomerado de carros, motocicletas e gente no mesmo lugar. O transito estava caótico, lento e bagunçado para aquela alta hora da noite em uma via que não costuma ser movimentada. Pensei: dever ser algum acidente? Então parei o carro no acostamento e misturei-me a outros curiosos para saber o que de fato acontecia ali. 
Para minha surpresa era um deles. Um daqueles jovens destemidos que dias antes desbravava a estrada desafiando a curva do inferno na mais pura euforia. Talvez ele até tivesse passado por mim outro dia? Não posso negar que senti um aperto em pensar que outras pessoas vinham em outros veículos trás dele e que poderia ter acontecido coisa pior devido à circunstância do acidente. No entanto a única verdade que estava a minha frente era aquele rapaz semimorto sobre o asfalto. Um de seus colegas andava de um lado a outro seguro ao celular solicitando uma ambulância. Outro vasculhava os bolsos do rapaz procurando o seu celular para avisar os parentes. Enquanto isso mais pessoas iam se aglomerando. E, novamente ouvi aquela mesma voz de outro dia dizer: Eu não te disse? Disse o quê? Respondi sem prestar atenção com quem falava comigo. E replicou-me: Há pessoas que chamam por ela achando que ela é ela. Há pessoas que jamais querem vê-la. Há pessoas que imaginam que ela é a solução, porém há outras que apenas a temem. Também há pessoas que simplesmente a respeitam, porque sabem que nada não se acaba em nada, e que logo tudo passará para um estado ao qual não se pode explicar. Curiosamente tive vontade de olhar para trás de mim e ver quem tecia palavras de tão forte reflexão. Porém além de mim só havia duas moças conversando entre si. Saí dali pensando que a nossa consciência fala conosco o tempo todo. Que ser mau ou bom é uma escolha de natureza humana. Que bondade e maldade não deve ser estendida exclusivamente aos outros, mas sim, a nós mesmos também, pois o que realmente pode diferenciar uma pessoa de outra é como ela chegará ao final de tudo.  


Tuesday, October 28, 2014

O SER MALUM



Será que o cinema está deixando o velho estilo de criar mocinhos e heróis para humanizar a vilania? Ou querem apenas lembrar que a essência humana não é má? Ao contrário do que muitos de nós pensamos a bondade de um indivíduo pode sim, ser transformada em pura maldade. No entanto, antes de qualquer julgamento é preciso entender os fatores que originaram o malum, que muita das vezes pode ser justificado por razões adversas.  Por gerações cultivamos a simpatia pelos paladinos, porém, nunca paramos para pensar sobre qual é a motivação dos vilões para serem sempre tão vingativos e tiranos. Então que tal olharmos para o passado de dois grandes perversos que recentemente foram humanizados pelo cinema? Sim, humanizados, por que não usarmos esse termo para compreender o que os levou a praticas tão cruéis e implacáveis? 
Primeiramente vamos decifrar um pouco sobre Vlad III, o empalador que foi príncipe de uma província chamada Valáquia na Romênia. Historiadores o descrevem como um homem que torturava até a morte espetando os inimigos enquanto as artes o retratam como um ser grotesco e sedento de sangue que mata casualmente.

Desde a invenção do cinema o sanguinário vampiro tem inspirado muitas outras versões que vão desde o clássico “Nosferatu – O vampiro da noite” de Herzog a “Drácula de Bram Stoker”, ambas as interpretações foram baseadas na obra do escritor irlandês Bram Stoker. Outra inspiração que também deve ser lembrada de Drácula é a interpretação do brilhante ator húngaro Béla Lugosi. No momento temos a versão mais recente dele “Drácula - A história nunca contada” de Gary Shore, no entanto, este ainda não supera o imbatível filme de Francis Ford Coppola que trás um vilão sedutor, sarcástico e duramente cruel. Mas afinal, o que realmente queremos perceber na origem do malum? Na verdade queremos enxergar a quebra do paradigma oferecido na versão de Shore quando nos apresenta um vampiro humanizado que luta com o mais forte pelo mais fraco, onde a crueldade é a defesa do oprimido, todavia, isso não reflete nem de perto a verdadeira história de Vlad III.

Não obstante, temos Malévola, outra personagem controvérsia, esta por sua vez foi traída, seu malum é justificado pelo ato de punir aqueles que não lhe fizeram mal somente para atingir o verdadeiro culpado do seu sofrimento. Contudo a sua redenção ressurgi quando a humanidade restante é resgatada pelo arrependimento do perdão pelo amor.

Friday, July 25, 2014

TEMPO DE ESPERA



“Se quer saber nunca é tarde demais...pra ser quem você quiser ser.”


A expressão “se não for de novo, de velho é que não escapa!” faz lembrar que o mundo é uma grande nave e que somos todos passageiros dela, o bilhete para alguns é grátis, porém, para outros nunca sai de graça, a volta é sempre garantida depois de algum tempo, além de resultar em situação boa ou ruim, mas isso vai depender se algo ficar inacabado durante o trajeto. O percurso também pode ser longo ou curto, no entanto, isso não é determinado por nós. É prudente lembrar que a coisa mais importante da viagem é cumprir a temporada, se por acaso pensar em fazer a besteira de saltar da nave antes do prazo estipulado tenha em mente a certeza que ficará vagando pelo espaço perdido sabe lá por onde até encontrá-la de novo e concluir o itinerário na parte em que parou. 
“Não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar, ou ficar como está. Não há regras pra esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que encare de forma positiva.”
 


A pior coisa é começar algo do nada, porém, esse nada também pode significar alguma coisa, por isso que durante a jornada terá de realizar tudo que for necessário para não deixar qualquer pendência, sem esquecer ainda que deve rezar para não ter de retornar novamente, pois a nave é senhora do seu tempo e do destino.
“Espero que veja coisas que surpreendam você. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com pontos de vista diferentes. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe.”

No decorrer do tempo que estiver na nave procure ver tudo, experimentar tudo, amar tudo, sentir tudo, mesmo que seja dor e lágrimas. 
"Estamos destinados a perdermos as pessoas que amamos. De que outra forma saberíamos o quanto elas foram importantes?"
 


Porque o verdadeiro sentido de viajar nessa nave é aprender a doar-se, perdoar a si mesmo e aos outros mesmo que sem vontade e merecimento, amar e ser amado, compreender e ser compreendido caso isso seja possível, ser irredutível e tirano, mas também ser a luz para alguém ou para muitos, pois perder ou ganhar realmente não faz ninguém melhor e nem pior. 
“E se você descobrir que não tem, espero que tenha forças pra conseguir começar novamente.”




                                                                                         O curioso caso de Benjamin Button