Saturday, September 6, 2008

Um olhar sobre o Jaú



  • Entre idas e vindas trilhadas por está amazonense, nascida em Itacoatiara, que inicialmente começou como assistente de arte (A selva), passando depois a assinar trabalho como diretora de arte (Nas asas do condor), agora tem pela frente uma nova jornada profissional. Eliana Andrade inicialmente fará parte de um seleto grupo de mulheres brasileiras que tem como desafio documentar este imenso Brasil de diversidade cultural. Em sua nova estréia assinará seu primeiro trabalho como diretora geral do documentário Filhos do Jaú, que mostrará a saga da descoberta do saber popular indo de encontro com o saber científico, são dois conhecimentos e olhares diferentes, o documentário inicialmente abordará temas buscando uma linguagem poética e ao mesmo tempo informativa, este trabalho vai além dos bichos da floresta, dos rios e dos nativos que vivem na maior reserva natural do mundo. Os moradores do Jaú junto com os cientistas busca de alguma forma mostrar a natureza em sua própria existência e sobrevivência com passar dos tempos.

Sunday, July 20, 2008

RIO SOZINHO




O MÊS E O ANO RECUSO-ME A LEMBRAR. MAS O DIA... SÓ SEI POR QUE OUVI A MINHA MÃE FALAR. QUANDO NASCI, EU NÃO CHOREI, DEI UM GRITO DE DESESPERO. TALVEZ PREVENDO O QUE IRIA ME ACONTECER....O INFERNO AGORA É PASSADO। ENFIM CHEGO AO PARAÍSO. O RIO SOZINHO SEGUE O SEU CURSO. ELE PASSA, TERMINA E RENASCE A VIDA. SORTE DELE! PORQUE ELE NÃO É EU. O ENCONTRO DO PASSADO E DO PRESENTE FUNDEM-SE COM UM FUTURO INCERTO. HISTORIAS QUE SE REPETEM. EU NÃO VIVI OS MEUS SONHOS MAS, REALIZEI OS DOS OUTROS.

Amazônia


A dor e o prazer de filmar na Amazônia para quem não conhece ou não está acostumado

A dor: sol quente, chuva repentina, calor intenso, transporte, as cobras que podem aparecer, as carapanãs e as carapanãs.
O prazer: estar num lugar sem frescuras, ter as mais belas imagens da vida, a hospitalidade do caboclo amazônida, o ar puro que emana das majestosas árvores seculares, o saboroso Jaraqui com farinha de mandioca, a pimenta com tucupi e o banho no rio.

Sunday, April 20, 2008

Olhar do outro "o mundo dos homens"

Minha trajetória pela busca da imagem, iniciou na infância. Eu assistia de tudo, de programas infantis até filmes de terror. Isso me despertou a curiosidade em saber como era do outro lado da imagem, como a imagem entrava na TV e chegava até o telespectador, cresci com essa curiosidade. Quando ouvia uma música, imaginava uma imagem que se misturava com as palavras da canção juntando-se á melodia, era uma viagem e tanto, mas naquela época eu não tinha noção de nada, ouvia, gostava e pronto. Então lá pelo final dos anos 70, eu então com oito anos de idade, estava aprendendo a ler e escrever, meu pai – que cultua o hábito da leitura – tinha em casa grande quantidade de livros; os que mais me chamavam atenção eram os da Maçonaria, porque são escritos em siglas, o que se torna difícil entender. Até hoje leio livros de variados gêneros. A leitura me despertou um interesse ainda maior de saber mais sobre a imagem, a cada conto, texto, assunto ou história, era uma viagem. Passei muito tempo fazendo isso. Até que uma noite, eu não conseguia dormir, acabei ligando a TV da sala de casa, todos dormiam, zapiei a TV até que encontrei um programa “Sala muito especial”. Naquela época eu não entendia bem, o primeiro filme que assisti era do Nelson Rodrigues. Essa foi a primeira noite de muitas outras que viriam a partir daquele momento. Lembro que eu não dormia esperando dar o horário da meia-noite das sextas-feiras para assistir esses filmes. Daí comecei a assistir de tudo, de Bang-bang a clássicos como “Condessa descalça” e “Doutor Givago”, filmes que ficaram para sempre na minha memória. Também nesse período, num certo dia eu ouvi pela primeira vez no rádio a música “Under pressure” do Queen. Imaginava as imagens, o ritmo da música que tomava conta de mim, isso lá no início dos anos 80. Quando meu pai trocou a TV preto e branco pela colorida foi uma festa para mim. Comecei a assistir a um programa musical “Globo de ouro”, lá pude ver pela primeira vez o Freddie Mercury. Do qual sou eternamente fã. Aos 10 anos, ir ao cinema era complicado, jamais me deixaram entrar, tinha que me conformar com a TV. Mas só em 1984 já com 12 anos pude ir ao cinema com um colega da escola assistir La Bamba, desde então sempre que podia, gazetava aula só para ir ao cinema. Quando terminei o colegial, tive que mudar de escola; foi minha perdição. Comecei a assistir a filmes mais pesados; várias vezes subornei o vendedor de ingresso para entrar no cinema, para ver filmes para maiores de 18 anos. Perdi a conta de quantas vezes fiz isso, cheguei a ser reprovada, por causa do cinema. De lá pra cá, até hoje não parei. Mas eu tinha um sonho que era muito distante, ou quase impossível naquela época; hoje acho que isso já veio determinado na minha vida. Desvendar o segredo da imagem! Naquela época já era a minha paixão, paixão que jamais poderia, em hipótese alguma ser alimentada por mim, me contentava apenas em vê-las, mas nunca imaginava que um dia iria fazer parte delas ou concebê-las. Mesmo assim, no decorrer do tempo, comecei a estudar sobre técnica e estética nos livros que eu adquiria sobre cinema. Nos anos 90 conformada que isso não era para mim. Decidi escrever um livro “Rio sozinho”. O problema é que eu não conseguia escrever literatura. A historia na minha mente era pura imagem com ordem cronológica e tudo. Talvez houvesse acostumado o meu cérebro a ler somente daquele jeito. Só em 1997 passando por uma livraria, vi numa estante um único exemplar do livro do Milton Hatoum “Relatos de um certo oriente”, eu mal sabia que anos depois eu iria sentar no bar Laranjinha, na praia da Ponta Negra, em companhia do próprio Milton, para falar de um conto que ele escreveu anos atrás “Nas asas do condor”. Assim como, levar o diretor francês Pitof “Mulher gato e Vidock” para tomar cerveja na praça do D. Pedro. E mais, ter no meu primeiro longa, a trilha sonora assinada pelo Rosemberg Cariri "Corisco e Dadá" eu só o conheci pessoalmente anos atrás quando ele veio à Manaus para dar oficina de roteiro e nos tornamos grandes amigos, gosto muito linguagem e cultura nordestina. Além do mais o Cariri é um dos melhores diretores deste Brasil. Tenho também outra paixão, sempre que tenho oportunidade, assisto a filmes estrangeiros, dou preferência aos japoneses. Como minha mãe era budista, durante minha adolescência, tive oportunidade de conhecer essa cultura, a mitologia deles é fascinante, mas só aos 30 anos decidi pela religião católica. Também dou preferência aos filmes chineses, russos, vietnamitas e alemães. Tive a oportunidade de assistir um filme iraniano “filhos do paraíso". Voltando ao livro do Milton. Eu digo que não li, mas “comi” o livro inteiro, pois só parei de ler quando cheguei à última página. A forma que o Milton escreve é perfeita. É um filme, só falta organizá-lo na cronologia da imagem, mas só em 1999, quando eu adquiri o livro Quatro Roteiros de Sid Fild, foi que vim entender que sempre fiz roteiros, só não sabia organizá-los de forma correta. Desde então comecei estudar as formas de estruturas mais usadas pelo mercado audiovisual nacional e internacional e adotar um padrão. Mas em 2002 com a retomada do cinema local no Amazonas, foi que eu vim me aprofundar no assunto para seguir uma carreira profissional. Naquela época ouvi dizer “Quem tem um olho, em terra de cego é rei” e um outro colega dizia “quem tem um olho, em terra de cego é caolho”. Minha paixão pela imagem novamente foi despertada numa época em que eu já estava desistindo para virar uma escritora. De qualquer forma, ainda não desisti de ser escritora, já que de alguma forma sou escritora da imagem.