Tuesday, December 24, 2013

O QUE PRECISAMOS VER....




"Quando Deus me perguntar porque matei o maior milagre dele, o que vou responder?"


Quantos presos neste instante estão cruzando o corredor frio e cinzento de uma insólita prisão no mundo? Quantas vezes o justo pagou pelo pecador ou pelo injustificável? Quantas almas já foram tiradas do mar da inocência sem direito a devolução? E se a pele for negra? A condição social for paupérrima? E se for desprovido dos seus direitos? Quantos? Quantos?


"Não dá para esquecer o que tem no coração." 

A verdade é que o brado de um inocente tem um lado destruidor quando é solenemente ignorado pela razão e são julgados incontáveis vezes pela cor da pele e condição social, mesmo que os olhos da alma transbordem da mais pura inocência serão firmemente menosprezados.



"Ele as matou por causa do amor, do amor uma pela outra. Agora você sabe como. É assim todos os dias. É assim em todo o mundo."








Em plena depressão americana dos anos 30, Stephen King proporcionou o encontro entre John Coffey e Paul Edgecombe. E, se fosse entre mim e você no lugar deles em plena era tecnológica do século 21, na mesma situação, o que me diria sobre o justo pagando pelo pecador?  Será que você me ouviria ou simplesmente usaria o ato de ignorar minhas suplicas? O livro "À espera de um milagre" aborda temas que ainda são perpetuados nos dias atuais através do senso comum. 
Paul Edgecombe, já idoso relembra no asilo das experiências na penitenciária de Cold Mountain e das diversas histórias do corredor da morte, até conhecer John em 1932. A morte das gêmeas Detterick e a condenação de John trouxe a reflexão de debater até onde podemos interferir nos mistérios de Deus e ter a consciência do dever cumprido ao ver um prisioneiro morrer pelas próprias mãos por ser culpado de um crime e ainda por ser negro. 

 

“E você... Você também vai morrer. E minha maldição é saber que vou estar lá pra ver. É minha expiação, entende? É minha punição por deixar John Coffey ser eletrocutado. Por matar um milagre de Deus." 






Todos os dias, de alguma forma alguém mata o milagre de Deus, seja ele por recusar o verdadeiro amor, ou simplesmente por ignorar a verdade, assim como também assassina a inocência através do julgamento e da condenação sem dar o direito a uma defesa justa. 

Sunday, December 8, 2013

COMO FALAR AO CORAÇÃO...



“Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência.”

 Nietzsche

Confiar à vida no jogo da possibilidade absoluta é no mínimo ser infantil ou ser inabalável com a desgraça. Porém, isso acontece, principalmente por pessoas sensíveis e enobrecidas de espírito e alma, que muitas vezes, ou quase todas às vezes, se sujeitam, sem questionar nada, acabando por abrir mão dos seus reais valores. Na obra “A insustentável leveza do ser” de Milan Kundera, tais situações ocorrem com Tereza quando aceita a infidelidade de Tomas e o torna responsável por sua vida e inspiração. 
Mas afinal, qual é o conceito de leveza e peso? Segundo o filósofo Parmênides, leveza/peso possui duplo princípio, ou seja, expor o peso como ausência, como não-leveza. Por este ponto de vista podemos dizer que Tereza é um peso para Tomas, que este, por sua vez, encontra em Sabina a leveza do peso, que por outro lado torna-se avessa a tudo que não seja belo e sem brilho, portanto, é neste conceito que Sabina foge do mundo convencional, livre do contrato social e consegue viver a mais plena individualidade humana deixando para Tereza o peso da angústia e do comprometimento da convenção social.      
“Hoje cada um se permite exprimir seu desejo, seu mais caro pensamento; assim eu vou dizer o que desejo hoje de mim mesmo, e qual foi o primeiro pensamento que preencheu meu coração este ano, um pensamento que deve ser a razão, a graça e a suavidade de toda a minha vida! Eu quero aprender cada vez mais a considerar a necessidade das coisas como o belo em si – assim, eu serei um daqueles que tornam as coisas belas, amor fati: que seja este de agora em diante o meu amor! Eu não vou fazer guerra contra o feio, eu não o acusarei mais, eu não acusarei nem mesmo os acusadores. Suspender o olhar, que esta seja minha única forma de negar.”    
                                                                                                                                                     Nietzsche
É no cenário de Praga que podemos observar o ideal e o possível do peso e da leveza envoltos com temas da realidade e dos costumes do povo Tchecoslovaco, interessantes a partir de pontos históricos a exemplo da “Primavera de Praga” contextualizados nas palavras do autor como maquiagem social de nossa sordidez mais dissimulada, mas o que isso importa? Somos o que somos, quanto ao resto, não importa.
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Tudo vai, tudo volta; eternamente gira a roda do ser.

Tudo morre tudo refloresce, eternamente transcorre o ano do ser.

Tudo se desfaz tudo é refeito;

Eternamente fiel a si mesmo permanece o anel eternamente constrói-se a mesma casa do ser.

Tudo se separa, tudo volta a se encontrar; do ser.

Em cada instante começa o ser; em torno de todo o "aqui "rola a bola "acolá ".

O meio está em toda parte. Curvo é o caminho da eternidade.

Zaratustra