Monday, February 25, 2013

MORRER EM BAGDÁ

Morre em Bagdá - Sinan Atoon


Durante o regime militar de Saddam Hussein, Furat é preso e isolado de sua humanidade pelo crime de usar a única arma que um escritor pode ter para defender o valor do seu pensamento, a caneta. Porém, Furat insistiu e persistiu, mesmo quando teve o cérebro trancafiado dentro da aflição do que é “aqui e ali” ao transportar os pedaços do tempo de dor, amor e ódio para folhas soltas do papel como forma de dizer que a alma de um poeta é livre. 
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Ler pedaços, pedaços de mim, de você e do que ainda resta para ler. É através da leitura desses pedaços que podemos visitar a obra de Sinan Antoon, que de forma sutil, mas verdadeira, imprimi o sentimento fragmentado de Furat, poeta iraquiano, que resistiu ao tempo quando o “errado” era ser o “certo” e a senhora tirania com seus filhos bastardos espalhavam dor e opressão em grande parte do mundo. Ri, chorei, me senti impotente diante do sofrimento do poeta, quando li “Morrer em Bagdá”. Então me lembrei dos relatos da Terapia Primal de Arthur Janov, que inspirou diversas canções, entre muitas, a mais conhecida é “Shout” da famosa banda inglesa Tears for Fears dos anos 80’, e dessa forma vi o duelo do soldado com sua própria mente, que o acusava de dar ao outro o inferno como presente, mas que tinha consciência que sua parte mais íntima e secreta sabia que tais ações alimentavam a roda do sofrimento, que não cessa de girar.


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Debaixo da majestosa palmeira, Furat encontra na sessão de literatura do jornal Al-Jamhuryya um dos poemas de Pablo Neruda cercado por outros artigos que abordavam o partido e a revolução a época. O poeta afirma que o tempo é um cidadão fugitivo e insensato, além do relógio que só serve para medir esse tempo perdido, porém, quando adentramos para a leitura do primeiro parágrafo da obra de Sinan Antoon, vemos a imagem de um homem apreciando esse tempo sentado num banco debaixo de uma palmeira que diante dos pedaços fragmentados contempla o tempo e que ao mesmo tempo nos arremessa para outro banco, desta vez, um banco de plástico frio, num ponto de ônibus em qualquer lugar do Iraque, desejando rever Bagdá e escrever as últimas linhas em folha de papel do que resta do seu próprio tempo no despertar do “aqui e ali” em outro tempo.


“Permaneci por meia hora debaixo da água quente sem que ninguém gritasse comigo. Eu tinha medo de que não passasse de um sonho, então fechei a torneira da água quente e abri a da água fria até o final. Pensei que a água fria pudesse me acordar, mas desta vez não acordei.....queria lavar minha alma também, mas ela estava muito funda para que a água chegasse.........a liberdade não é o sentimento mais lindo do mundo? Simples, trivial, a liberdade de todo dia...pensando no que eu iria fazer aqui...ali.”


                            
                                                   Livro traduzido do árabe by Khalid Tailche

Sunday, February 10, 2013

ENTERRAR A MÁGOA COM UM BEIJO

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Um prisioneiro veio a júri popular e se dizia inocente do seu crime, mas que estava arrependido. Enquanto isso na sala do fórum havia 25 pessoas, além dos incontáveis espectadores, no que se seguiu adiante os 25 presentes foram convocados a apresentar-se e formar entre eles o corpo de jurados por sorteio, 3 mulheres e 9 homens foram sorteados, formando assim, o Conselho de Sentença.
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Tanto Juiz e Promotor eram bem jovens, enquanto o Defensor, um senhor pequeno e magro que aparentava ter uns 65 anos ou mais, pediu desculpa, por estar atrasado, pois esta seria a última audiência antes de encerrar sua carreira. Nas horas que sucederam o Juiz em sua sabedoria e conhecimento da jurisprudência entrevia quando necessário, enquanto o Promotor usava de suas artimanhas para complicar mais o réu no palco do teatro da justiça. 
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Durante horas e horas os espectadores puderam assistir com atenção o duelo da justiça versos o motivo de cometer um crime, onde Deus e o homem eram analisados para ver quem tinha razão. Porém, o desfecho desse julgamento veio nas considerações finais, quando a plateia, o Juiz e os jurados começaram a se perguntar quais são os fatores que levam alguém a cometer um crime? O que estava de fato certo ou errado? Se realmente o réu era culpado ou inocente? A dúvida já havia sido instalada e questionar o valor humano e a Divindade era imprescindível naquele momento. Mas o ápice do show ainda estava longe de acabar, faltava o promotor em seu discurso inflamado pedir a pena máxima para o réu, que, posteriormente assim o fez. 
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E sob curiosos olhares expectantes, estava lá, o palco da justiça. Então entra o senhor Defensor, e diz que não falará mais nada, porém, que ainda há tempo suficiente para que não se cometa outro erro, para isso ele pede atenção para que todos juntos, possam, assistir ao filme “Coração valente” e depois se faça uma autoanalise daquilo que é certo ou errado da justiça de Deus e do homem, concluindo com o pedido da absolvição do réu. “no século XIII, soldados ingleses matam a mulher do escocês William Wallace (Mel Gibson), bem na sua noite de núpcias. Para vingar à amada, ele resolve liderar seu povo em uma luta contra o cruel Rei inglês Edward I (Patrick McGoohan). Com a ajuda de Robert e Bruce, ele vai deflagrar uma violenta batalha com o objetivo de libertar a Escócia de uma vez por todas.”



Estátua de William Wallace na Escócia

O século XIII é marcado, segundo os estudiosos como o século mais brilhante da idade medieval, sendo constituída por três classes sociais: nobreza, clero e povo, seguindo por estas vertentes o roteirista descreveu, talvez, sem saber, 23 Artigos do código Civil baseados na lei do homem e na lei de Deus o roteiro do longa-metragem “Coração valente”. Eu já sei quais são e você? Não adianta procurar no google. Conselho: comece pelo código civil e terminine com a biblia.


“use a mente e depois a espada para ferir”